Vi o trailer do Pokémon Legends Z-A esses dias. R$ 300+ por algo que parece feito no automático. A Game Freak continua entregando o mínimo e cobrando o máximo. Decepcionado mas não surpreso.
Enfim. Fiz uma lista de jogos indie baratos que me deram mais horas de jogo que muito AAA de preço cheio. Preços aproximados, variam com promoção. Nem todo indie é bom - tem muito indie ruim por aí também - mas esses aqui eu joguei e recomendo.
Stardew Valley (~R$ 25)
Simulador de fazenda. Herda sítio do avô, planta, cria bicho, conhece a vizinhança. Parece simples mas o jogo tem uma quantidade absurda de conteúdo escondido. Relacionamentos com NPCs, caverna com monstros, pesca, eventos sazonais. Um cara sozinho fez isso e é melhor que qualquer Harvest Moon recente.
Meu favorito da lista disparado. Pra quem quer relaxar depois do trabalho ou precisa de algo low-stakes. Cuidado: você vai olhar o relógio e já passou 100 horas.

Hades (~R$ 45)
Roguelike de ação. Filho do Hades tentando fugir do submundo. Morre, volta pro início, tenta de novo. A diferença pros outros roguelikes é que morrer avança a história. Cada vez que você volta, tem diálogo novo, relacionamento evolui, plot acontece. Morrer não é punição, é mecânica narrativa.
O combate é rápido e tem variedade boa de armas e builds. Pra quem curte ação e não se frustra com repetição. A progressão permanente ajuda - mesmo perdendo, você fica mais forte pro próximo run.

Terraria (~R$ 20)
Sandbox 2D. Minecraft de lado com mais foco em combate e progressão de chefes. Começa cavando, construindo casinha, craftando equipamento. Depois vai ficando mais complexo com biomas diferentes, eventos, NPCs, chefes que mudam o mundo quando morrem.
O início é confuso. O jogo não explica quase nada, você vai precisar de wiki aberta do lado. Mas depois que entende o loop, tem literalmente centenas de horas de conteúdo. Pra quem tem paciência de aprender sozinho e gosta de sentir progressão constante.

Starbound (~R$ 35)
Terraria no espaço. Você tem uma nave, viaja entre planetas procedurais, encontra civilizações diferentes. Cada planeta tem bioma, clima, fauna própria. A fórmula é parecida - cava, constrói, crafta - mas com escala maior.
Mais acessível que Terraria no começo. Tem missões principais que guiam a progressão, você não fica tão perdido. Pra quem tentou Terraria e achou confuso demais, ou quem curte a fantasia de exploração espacial.

Moonlighter (~R$ 35)
Roguelite com gerenciamento de loja. De noite você invade dungeons coletando loot, de dia abre sua lojinha e vende os itens. Precisa definir preços, observar reação dos clientes, reinvestir em equipamento melhor pra ir mais fundo nas dungeons.
O ciclo é satisfatório. Problema: depois de umas 15 horas você já viu quase tudo e fica repetitivo. Bom pra sessões curtas de meia hora, ruim pra maratona de fim de semana.

Graveyard Keeper (~R$ 35)
Stardew Valley mas você cuida de um cemitério medieval. Enterra corpos, faz craft, planta, vende carne de origem duvidosa pra taberna local. O humor negro é o diferencial - o jogo não leva nada a sério.
Porém, o grind é mais pesado que Stardew. Árvore de tecnologia confusa, às vezes você precisa de um item que precisa de outro item que precisa de outro item que você nem sabe onde achar. Pra quem curtiu Stardew e quer tom mais sombrio. Vai com paciência.

Horizon Chase (~R$ 30)
Corrida arcade brasileira. Visual estilizado inspirado em Top Gear do Super Nintendo, pra quem lembra. Trilha sonora do Barry Leitch, mesmo compositor do original. Gameplay simples: acelera, desvia, pega nitro, ultrapassa. Sem simulação, sem complicação.
Funciona muito bem no celular também. Pra sessões rápidas de 15 minutos ou pra mostrar games pra alguém que não joga muito. Orgulho nacional, diga-se de passagem.

Human: Fall Flat (~R$ 35)
Puzzle de física onde você controla um boneco molenga. Pula, escala, puxa, empurra. A graça é que os controles são propositalmente estranhos - seus braços se movem independente e tudo tem peso e física.
Sozinho é ok, funciona. Mas o jogo realmente brilha no co-op. Quatro pessoas tentando resolver puzzle enquanto a física zoada faz todo mundo se atrapalhar. Vira comédia rápido. Se for jogar sozinho, expectativas moderadas. Com amigos, rende muita risada.

We Were Here (~R$ 0 o primeiro)
Puzzle cooperativo assimétrico. Dois jogadores, cada um numa parte diferente do cenário, vendo coisas diferentes. Precisam se comunicar por walkie-talkie pra resolver os puzzles juntos. Um descreve o que vê, o outro tenta entender e agir.
Experiência bem diferente de qualquer outro jogo. Precisa de parceiro comprometido que saiba se comunicar - com a pessoa errada não funciona. O primeiro da série é grátis, então dá pra testar sem risco. Se curtir, os outros são pagos.

Keep Talking and Nobody Explodes (~R$ 25)
Party game de desarmar bomba. Uma pessoa vê a bomba no jogo - fios, botões, símbolos. As outras pessoas têm um manual em PDF explicando como desarmar cada módulo. Quem vê a bomba não pode ver o manual. Quem tem o manual não pode ver a bomba.
Sim, alguém vai ficar lendo PDF no celular enquanto o outro grita "é fio vermelho ou azul?!". Parece estranho, é estranho. Mas se seu grupo topar a proposta, é uma das melhores experiências de party game que existe. Não funciona com qualquer grupo - precisa de gente que curta esse tipo de coisa.

Indie barato não é garantia de qualidade. Mas quando um de R$ 25 decepciona, você dá de ombros e segue a vida. Quando um AAA de R$ 300 decepciona, dói no bolso e na alma.
No Brasil com esses preços de jogo, saber garimpar é sobrevivência.